A crise gerada pelo coronavírus fez crescer, como nunca antes, o interesse e engajamento na imprensa exponencialmente. A audiência e o reconhecimento pela sociedade na imprensa é algo, segundo especialistas, sem precedentes.

Ocorre que, diariamente, milhares de mensagens são compartilhadas. O telefone virou o grande meio pelo qual as pessoas passaram a ser bombardeadas com imagens, vídeos, textos. Nunca foi tão fácil disseminar uma mensagem. E nunca foi tão difícil saber se aquilo, de fato, é verdade.

E em momentos de crise, como a que o mundo vive atualmente com o coronavírus, esse fenômeno torna-se ainda mais latente. Todo o tipo de informação é repassado sem se ter ideia da fonte muito menos da sua veracidade. Um risco, portanto, para todos. Nesse cenário, cresce a credibilidade dos veículos de comunicação tradicionais e a necessidade de estar presente nesses espaços.

No início de Abril, em entrevista para a rádio Gaúcha, de Porto Alegre, o presidente da Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs), Prefeito de Palmeira das Missões Eduardo Freire, alertou que prefeitos estejam atentos e se orientem através dos veículos de comunicação em relação a crise do coronavírus.

“Estamos muito preocupados com isso. Pedimos que os prefeitos estejam atentos aos órgãos de imprensa sérios. É importante valorizar a imprensa neste momento. Vivemos um período em que as pessoas se comunicam por WhatsApp, confiam muito em fake News. A gente pede que os prefeitos se orientem por órgãos de imprensa sérios, pela Secretaria Estadual da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde, mas é difícil. E isso ocorre principalmente porque ocorre uma politização de qualquer tipo de discussão no Brasil”, salientou.

Audiência da imprensa cresce

Nas últimas semanas, pesquisas de opinião ressaltam a confiança da sociedade em informações apuradas e checadas pela imprensa. Estar presente nos jornais, rádios, TVs e sites de notícia como fonte, portanto, é primordial para solidificar reputação, de profissionais e organizações.

Para se ter uma ideia, somente em março a versão online da Folha de São Paulo recebeu 69,8 milhões de visitantes únicos. O número supera o registrado em outubro de 2018, mês das últimas eleições, quando houve 64 milhões de usuários únicos. Durante a crise gerada pelo COVID-19, a Folha de SP disponibilizou gratuitamente todo o conteúdo de utilidade pública de sua cobertura.

O interesse pelos sites jornalísticos profissionais cresceu no mundo todo. A americana Chartbeat, especializada em medição de dados de veículos de notícias, definiu como sem precedentes o atual momento de interesse e engajamento pela imprensa.

Telejornais e canais de notícia em alta

Na TV não foi diferente. Como esperado, o número de televisores ligados aumentou com mais gente em casa devido à quarentena. Mas estudo do Kantar Ibope, que mede o público da TV no Brasil, evidencia muito mais. Em tempos de isolamento, os telejornais e canais exclusivos de notícias viraram campeões de audiência.

Em âmbito regional o fenômeno é o mesmo. No RS, o portal GaúchaZH (Grupo RBS), que também liberou acesso gratuito para todos os leitores devido a crise do coronavírus, somando site e aplicativo, teve ao longo de março 96,9 milhões de pageviews.

O recorde anterior, de março do ano passado, era de 78 milhões. Apenas no site foram 74,4 milhões de páginas vistas, 55 milhões de visitas e 30,1 milhões de usuários únicos. Esses números ultrapassam em muito as melhores marcas históricas mensais do portal (respectivamente, 56,1 milhões, 39 milhões e 18,4 milhões, todas de 2019).

O fato reforça o papel do jornalismo e, diferente do que muitos pregam, a importância de estar presente na imprensa, como fonte, como forma de agregar a marcas elementos como credibilidade, reputação e presença institucional.